Levantamento em parceria com o MDIC detalha como estados do Norte ao Sul podem acessar mercado de 722 milhões de consumidores e PIB de US$ 24,2 trilhões, integrando da bioeconomia amazônica à alta tecnologia industrial.
A consolidação do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia abre as portas de um dos blocos econômicos mais valiosos do planeta. Para garantir que o setor produtivo de todas as regiões brasileiras converta a redução de tarifas em novos negócios, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), elaborou um estudo que mapeia as oportunidades reais de exportação por estado. Estruturado a partir dos códigos tarifários internacionais, o levantamento identifica nichos de mercado na Europa e orienta a diversificação da pauta exportadora.
O potencial do Brasil de ponta a ponta
O estudo traça um diagnóstico do mapa produtivo nacional, destacando o potencial de cada macrorregião:
- Norte (bioeconomia e sustentabilidade florestal): O acordo fortalece a inserção dos produtos da sociobiodiversidade amazônica — como açaí, castanhas, cacau e óleos essenciais —, além da madeira manejada e minerais críticos. A região posiciona-se como peça-chave no pilar de sustentabilidade e transição ecológica exigido pelo mercado europeu, aliando preservação e alto valor agregado.
- Nordeste (fruticultura irrigada, calçados e transição energética): Com destaque para a fruticultura tropical (como as exportações do Vale do São Francisco), mel, couro e calçados, o Nordeste ganha impulso para ampliar suas vendas ao bloco. A região também se consolida como polo estratégico para a atração de investimentos europeus em energia limpa e hidrogênio verde.
- Sudeste (tecnologia industrial e valor agregado): Concentra o maior volume de oportunidades do país. São Paulo lidera o ranking nacional com 127 produtos estratégicos mapeados (96 industriais e 31 agrícolas), com relevância para aeronaves, suco de laranja, café e máquinas. Minas Gerais soma 69 oportunidades, puxadas pelo café não torrado (74,1% das vendas para a UE). Rio de Janeiro (24 oportunidades) e Espírito Santo (31 oportunidades) destacam-se nas cadeias de mineração, energia, café e siderurgia.
- Sul (sinergia agroindustrial e maquinário): Evidencia forte integração entre tecnologia técnica e campo. Santa Catarina lidera em número de itens na região, com 167 produtos mapeados (128 industriais e 39 agrícolas), impulsionados por geradores elétricos, máquinas e proteína animal. O Paraná reúne 76 oportunidades no complexo de soja, madeira e carnes de aves, enquanto o Rio Grande do Sul contabiliza 74 oportunidades em derivados de soja, fumo e manufaturados.=
- Centro-Oeste (segurança alimentar e commodities estratégicas): Motor da produção agropecuária, a região destaca-se no fornecimento global de grãos (soja e milho), carnes e minérios como cobre e ferroníquel. No Distrito Federal, foram mapeadas 15 oportunidades focadas em nichos industriais e de peças de alta complexidade.
A implementação do mapeamento reflete o potencial de expansão para o comércio exterior brasileiro. Mais de 8 mil empresas já exportam ativamente para o bloco europeu — com destaque para São Paulo, que reúne 3.842 empresas exportadoras, seguido por Rio Grande do Sul (885) e Minas Gerais (863). Com a desgravação tarifária progressiva, a ApexBrasil prevê ampliação no volume e na diversificação das vendas externas, capacitando novos negócios para disputar fatias do mercado europeu de US$ 24,2 trilhões e integrando o país a uma rede de 722 milhões de consumidores.
Para acesso ao estudo completo: https://apexbrasil.com.br/content/apexbrasil/br/pt/solucoes/inteligencia/estudos-e-publicacoes/estudos-especiais/perfis-dos-estados-brasileiros—oportunidades-do-acordo-mercosu.html
Fonte: ApexBrasil