Análise preliminar da ApexBrasil apresenta impactos da decisão dos Estados Unidos e nas exportações
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, no dia 17 de julho, um plano de R$ 130 milhões para apoiar a diversificação das exportações brasileiras. O anúncio foi feito durante coletiva técnica realizada em Brasília, na qual a Agência apresentou uma análise consolidada dos impactos da decisão do governo dos Estados Unidos no âmbito da investigação da Seção 301.
Levantamento elaborado pela Gerência de Inteligência de Mercado da Agência mostra que a decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) ampliou de 615 para 699 o número de produtos brasileiros isentos da tarifa adicional de 25%. Com isso, 60,5% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025, equivalente a US$ 22,8 bilhões, permanecerá livre dessa sobretaxa. A análise preliminar estima que a parcela das exportações sujeita à tarifa de 25% foi reduzida de US$ 9,4 bilhões para US$ 7,2 bilhões.
Durante a coletiva, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a Agência manterá sua atuação junto aos setores produtivos brasileiros e às entidades empresariais dos Estados Unidos para ampliar o número de produtos contemplados pelas exceções à tarifa e acelerar a abertura de novos mercados.
Nós vamos seguir firmes no trabalho que já vínhamos realizando nos Estados Unidos, apoiando empresas e entidades brasileiras em conjunto com empresas e entidades americanas para ampliar a lista de produtos isentos. Paralelamente, vamos intensificar a diversificação das exportações brasileiras.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil
Como parte dessa estratégia, a ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões, que será executado em parceria com 57 entidades representativas do setor produtivo. A iniciativa prevê ações voltadas à promoção comercial, inteligência de mercado e abertura de oportunidades para empresas brasileiras em mercados estratégicos, com lançamento previsto para o início de agosto.
Para Müller, o processo de diversificação já vem sendo conduzido pela Agência. Dados apresentados durante a coletiva mostram que 72% das cerca de 2.400 empresas exportadoras apoiadas pela ApexBrasil que comercializavam com os Estados Unidos passaram a exportar também para pelo menos mais um novo mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.
Ainda segundo o presidente da ApexBrasil, o cenário geopolítico internacional também tem ampliado o interesse pelo Brasil como parceiro comercial. Segundo ele, em um contexto de maior instabilidade global, países têm buscado fornecedores confiáveis e previsíveis. “O Brasil se mostra neste momento como um país estável, como um país confiável. Os países procuram parceiros estáveis, que negociem e que sejam democráticos”, afirmou. De acordo com Müller, essa percepção contribui para o aumento da atração de investimentos e fortalece a estratégia brasileira de diversificação de mercados.
Setores beneficiados e impactos
O estudo da ApexBrasil aponta que a decisão final do USTR incorporou 85 produtos brasileiros adicionais à lista de isentos da tarifa de 25%, resultado das contribuições apresentadas durante o processo de consulta pública conduzido pelo governo norte-americano. Entre os segmentos beneficiados estão ferro fundido, pescados, couros, madeira, hidróxido de alumínio, mel, objetos de arte e determinados produtos plásticos. Contudo, ainda que a lista de isenções tenha sido ampliada, parte das exportações brasileiras continua sujeita às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.
Durante a apresentação, o presidente da ApexBrasil ressaltou que a medida afeta não apenas exportadores brasileiros, mas também cadeias produtivas norte-americanas que dependem de insumos fornecidos pelo Brasil.
“Nós estamos falando de um comércio de aproximadamente US$ 38 bilhões por ano entre Brasil e Estados Unidos. Desse total, cerca de US$ 7,2 bilhões foram impactados pelo tarifaço. Em diversos setores, isso também significa aumento de custos para empresas americanas e pressão sobre os preços ao consumidor nos Estados Unidos”, destacou.
A ApexBrasil informou que continuará atuando em coordenação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e representantes do setor privado para ampliar as oportunidades de acesso a mercados internacionais e fortalecer a inserção competitiva dos produtos brasileiros no exterior.
Fonte: ApexBrasil